Suicide Commandos, um trio visionário

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O Suicide Commandos é uma daquelas bandas que já faziam um som punk antes mesmo que o termo fosse criado. Originária de Minneapolis (EUA), foi criada em 1974 pelos amigos Chris Osgood (guitarrista e vocalista), Steve Almaas (baixista) e Dave Ahl (baterista).

suicide almaasNa época, costumavam denominar o som que faziam simplesmente “underground”. As palavras do próprio Osgood, publicadas no jornal Twin City Readers, em julho de 1977, definem melhor o que era o Suicide Commandos: “juntamos o menor número de pessoas possível, que eram três, tentamos fazer o máximo de barulho que dava, do jeito mais agressivo e divertido que poderíamos. Não havia uma direção a seguir, um mapa, exceto fazer todo o caminho de volta a Eddie Cochran e o início do rock’n’roll. Procurávamos qualquer coisa que fosse absolutamente imediata e nem queríamos muito mais que isso”.

O primeiro registro em vinil do grupo, lançado em 1976, foi o compacto Emission Control, com três músicas: a do título, mais Cliche Ole e Monster Au-Go-Go. Nesse disco, o som pode ser descrito como “proto punk”, ou seja, estava mais para um rock’n’roll básico do que punk propriamente.

suicide osgood_2Então veio a “explosão punk”, e o Suicide Commandos logo ganhou fama. Em 77, abriu para o Ramones em St. Paul (a cidade gêmea de Minneapolis) e também para Iggy Pop e Patti Smith. Naquele ano ainda excursionaria por toda Costa Oeste e se apresentaria no CBGB, além de lançar o segundo single com Match Miss Match e Mark He’s a Terror.

Não tardou para que conseguissem um contrato de gravação. Assim, assinaram com a Blank, selo da major Mercury Records, e começaram a preparar o primeiro LP. Make a Record, com 15 faixas e lançado em 1978, é considerado como um dos melhores do punk norte-americano pré-hardcore. Excelente, sem dúvida.

Ainda em 78, o tecladista Mark Goldstein junta-se ao trio, que abandona o “Suicide” do nome e tenta caminhar por um caminho mais pop. Logo ficaria claro que essa não era a praia deles. Então resolvem voltar a ser um trio, reassumem o Suicide e fazem alguns shows de despedida, para dar fim a uma história curta, mas intensa.

suicide - ahlOs shows finais foram gravados e lançados em vinil com o sugestivo título The Commandos Commit Suicide Dance Concert, primeiramente em um LP simples com 20 faixas e, depois, em um álbum duplo com mais 18 sons (também lançado em CD).

Em meados dos anos 90, o trio começou a reunir-se e fazer apresentações esporádicas. Em 2014, com a morte de Tommy Ramone, Steve Almaas percebeu que todos os Ramones estavam mortos, enquanto os três Suicide Commandos originais permaneciam vivos. Então, por que não gravar um novo disco? Assim nascia Time Bomb, o segundo álbum de estúdio do grupo, muito bom por sinal, e o Suicide Commandos retomava definitivamente as atividades.

Baixe aqui Make a Record, outra gema do punk norte-americano

Curiosidades

  • Os primeiros e últimos shows do Suicide Commandos (na primeira fase) foram realizados no Longhorn Bar, um lendário antro de roqueiros, punks e afins de Minneapolis.
  • Após o fim do SC, Steve Almaas formou o The Crackers e, mais tarde, o Beat Rodeo, ambos com estilo pop. Depois mudou-se para a Suécia, onde é professor, mas não abandonou a música e já gravou quatro discos solos.
  • No início da carreira, Chris Osgood trabalhava como agente de shows em uma produtora e quando clientes procuravam uma banda de rock para fazer shows em universidades ele oferecia os serviços do Suicide Commandos pela metade do preço das bandas da agência. Com isso, o SC conseguia muitos shows na região de Minneapolis-St Paul.
  • Em 77, a casa que eles ensaiavam foi condenada e devia ser demolida. O proprietário resolveu queimá-la e a banda aproveitou para gravar um clip, dirigido por Chuck Statler, um dos pioneiros do vídeo-clip, com o incêndio ao fundo. A música? Burn it down, claro.
  • O nome da banda foi inspirado em um filme B filipino, de 1962, chamado Suicide Commandoes. A película, do desconhecidíssimo diretor Armando Garces, rende tributo aos “valorosos soldados” daquele país.
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