Factor Zero, mais uma vez!

Factor Zero foi o primeiro fanzine punk do Brasil. O ano era 1981 e o punk começara a entrar em ebulição na cidade de São Paulo. A Punk Rock Discos, uma loja nas Grandes Galerias, no centro de São Paulo – hoje conhecida como “Galeria do Rock” – era o ponto de encontro dos punks e eu, um dos muitos frequentadores. Como na época trabalhava de “xeroxista”, pensei em fazer um “jornalzinho” que falasse sobre as bandas e também funcionasse como meio de discussão do que estava acontecendo ali e na periferia.

Na verdade, ninguém conhecia o termo “fanzine”. Perguntei ao Fábio, dono da loja e futuro vocalista do Olho Seco, se ele me daria uma força com o “jornalzinho” e ele concordou não só em vender mas aceitou pagar por um anúncio. Tudo bem dentro da filosofia do it yourself.

O “sucesso” foi surpreendente. Fiz 20 exemplares de teste, vendidos em um único dia! Depois fiz mais uns 20 ou 30, não me lembro, e vendeu tudo de novo. O número 1 saiu logo na sequência e um pouco mais elaborado, com matérias sobre várias bandas, a maioria estrangeiras, e até um editorial, que acabou sendo reproduzido por um jornal cultural da época, se não me engano chamado “Leia” ou “Leitura”. A capa deste número 1 era simples: tinha o símbolo da Anarquia feito a mão. Desta edição me lembro que fiz uma primeira tiragem de 50 exemplares, esgotada rapidamente e mais umas duas ou três.

O terceiro e último Factor Zero é um dos muitos mistérios que minha mente, à época bastante “confusa”, teima em esconder de mim. Me lembro apenas que foi o mais completo dos três e o que mais vendeu e me deu dinheiro com anúncios. O problema foi a grana, já que eu gastei tudo com bebidas, discos e fitas cassetes e fiquei duro para continuar com a coisa. Além disso, àquela altura já circulavam outros fanzines que cumpriam o papel inicialmente proposto pelo Factor Zero, que era disseminar o estilo punk. Então dei a aventura por encerrada. E não guardei nada, nem originais, nem um exemplar sequer.

The Second Coming

Em 2008, resolvi reviver o Factor Zero, mas desta vez em formato digital (factor-zero.blogspot.com.br) e com objetivos um pouco diferentes. Mais de 30 anos depois, a ideia central era mostrar o “lado B” do punk. E o fiz por alguns anos contando a história das bandas que construíram este fenômeno chamado punk na década de 1970 e início dos anos 80. No entanto, compromissos profissionais e motivações particulares me levaram a abandonar o blog. Fiz umas tentativas de ressuscitá-lo, mas não deu certo.

Again and again and again

Então, entramos em 2017 e aqui estou mais uma vez reativando o Factor Zero, em uma nova plataforma e com novas ideias. Espero desenvolvê-lo, mas não sei ao certo como farei isto. A princípio, a proposta é reconstruir o blog junto com os leitores. Assim, vou atualizar as postagens do antigo blog e, ao mesmo tempo, criar novas. O foco ainda será relembrar bandas que de alguma forma se vinculem ao punk rock, no período entre os anos 60 e até meados dos 80. Mas o FZ é libertário por natureza, portanto, livre pra ser o que quiser. De repente, podemos falar sobre política, religião, cerveja, filosofia… Enfim, coisas importantes.

Bem-vindos e boa diversão!